Atividades

ESPECIALISTA EXPLICA DOENÇA QUE AFETA CADA VEZ MAIS JOVENS.*

Raquel Borges

Vômitos provocados, culpa, baixa auto-estima ... O sofrimento de Giselle, interpretada por Pérola Faria em Páginas da Vida, deixa muitos pais em estado de alerta e bastante preocupados.

Na trama, a adolescente sempre viveu sufocada pelas exigências da mãe, a frustrada Ana (Deborah Evelyn). O desejo da dondoca é que a filha seja bailarina, mesmo sem gostar. Em sua obsessão, ela exige que a garota esteja sempre magra, esguia e, portanto, perfeita segundo sua concepção. Resultado: aos 15 anos, Giselle sofre de bulimia nervosa, doença que atinge cada vez mais crianças, adolescentes e jovens.

Para esclarecer as dúvidas deste problema sério , tititi entrevistou a psicanalista Cybelle Weinberg , coordenadora do Ceppan – Clínica de Estudos e Pesquisa em Psicanálise da Anorexia e Bulimia, em São Paulo. Ele é formado por especialistas que atendem, em diferentes regiões da cidade, pacientes com transtornos alimentares. Confira as dicas:

O que é bulimia?

A bulimia nervosa é um transtorno alimentar, assim como a anorexia. Em ambos os casos a pessoa tem muita medo de engordar. Só que no caso da bulimia ela come, às vezes compulsivamente, e devido ao pavor de ganhar peso, recorre a métodos purgativos, como o uso de laxantes, vômitos provocados e a prática exagerada de exercícios físicos.

Diferença entre anorexia e bulimia.

São doenças semelhantes, mas na anorexia a pessoa se recusa a ingerir alimentos. Ela tem uma distorção da imagem corporal: se olha no espelho e se vê gorda, mesmo estando muito magra. Então, o objetivo é perder peso para chegar a uma “forma física ideal”. Os anoréxicos, no geral, têm mais dificuldade em admitir a doença. Já quem tem bulimia sabe que está doente e que provocar o vômito é errado.

Sintomas.

Entre os sinais mais importantes de que alguém está sofrendo de bulimia estão a irritabilidade, comer demais freqüentemente e não engordar, correr sempre para o banheiro logo após as refeições. Os pais de adolescentes devem ficar em alerta ainda se algum animal de estimação da casa, como o gato e o cachorro, está acima do peso, pois os filhos, no caso da anorexia, podem dar o alimento a eles. Além disso, para que a família não perceba que estão vomitando, alguns jovens costumam ligar o chuveiro ou dar a descarga enquanto vomitam.

Situações que levam à bulimia.

Muitas vezes a pressão familiar com cobranças do tipo “Olha, vai engordar”, já prejudica quem tem predisposição psíquica para a bulimia. Há cerca de uma década era comum ver jovens de 18 anos com bulimia e anorexia. Hoje garotas entre 9 e 12 anos estão apresentando o problema, e já existem casos de diversos meninos com transtornos alimentares.

Efeitos no organismo.

As complicações são várias, tanto físicas quanto psicológicas. O organismo vai ficando sem energia e podem ocorrer desnutrição, amenorréia (ausência de menstruação), convulsões e depressão, no caso da anorexia. Na bulimia, é comum o surgimento de feridas na garganta devido ao uso de objetos para provocar o vômito. E também o desgaste do esmalte dos dentes por causa da ação do ácido do estômago. É possível ocorrer perda de potássio. Esse elemento é responsável pelo bom funcionamento do músculo do coração e a ausência dele pode provocar até a parada cardíaca.

Vida Social.

A pessoa que sofre de bulimia tende a se isolar gradativamente. Vai se afastando dos amigos e pode até parar de estudar ou trabalhar. Cinema, festas, baladas, qualquer lugar onde possa ter comida e bebida fica fora de sua agenda. Para o bulímico, o risco de participar desses programas é comer, ter de vomitar fora de casa e ser descoberto.

Tratamento.

É preciso procurar um psiquiatra. Ele vai diagnosticar o quadro, medicar, caso haja alguma outra doença associada, encaminhar a pessoa para terapia individual e a família para orientação ou terapia familiar. É importante ainda a ajuda de uma nutricionista, para que o paciente reaprenda a comer de maneira saudável. O tratamento dura em média seis meses se a doença for descoberta no início e a pessoa for acompanhada por uma equipe especializada em transtornos alimentares.

* Artigo publicado originalmente na Revista tititi, ano VII, n. 417, 08/09/2006, 36 – 37

  Copyright© 2006 Ceppan - Todos os direitos reservados.   Desenvolvido por Nina.