Artigos

TRATAMENTO DOS TRANSTORNOS ALIMENTARES.

Ana Paula Gonzaga

Os transtornos alimentares são patologias psiquiátricas graves que demandam um tratamento criterioso e complexo, dado seu caráter etiológico multifatorial. Ao considerarmos aspectos culturais, familiares, sociais, biológicos e psicológicos como fatores de base na etiologia dessas patologias, não podemos negligenciá-los no tratamento de pacientes com anorexia ou bulimia nervosa.

Assim, a proposta de tratamento, que considera a complexidade etiológica, não pode deixar de ser multidisciplinar, envolvendo profissionais da área médica, psicológica e nutricional. Uma equipe coesa e integrada deverá ser formada para tratar com mais chance de sucesso esses pacientes.

Os objetivos do tratamento, nesse sentido, são a restauração do peso, o re-equilíbrio emocional, a re-educação alimentar que envolvem conseqüentemente o trabalho do nutricionista, do médico psiquiatra, do terapeuta familiar e do psicoterapeuta.

A psicanálise tem sido atualmente a psicoterapia de escolha na composição do tratamento, justamente por investigar e tratar os conflitos psíquicos que são disparadores e que mantém os transtornos alimentares. A angústia vivida pelas jovens adolescentes com as mudanças corporais, os processos de crescimento e individuação, as demandas de autonomia e independência familiar acabam por deflagrar um processo patológico que leva à anorexia ou bulimia nervosa. Se essa conflitiva não for reconhecida e tratada, em conjunto com os demais sintomas apresentados, pouco se fará por esses pacientes.

É indiscutível a necessidade do trabalho multidiciplinar na proposta de tratamento dos transtornos alimentares, o que está consagrado pela literatura internacional pautada no trabalho de equipes especializadas em diferentes partes do mundo (como Maudsley Hospital, Londres; Royal Victoria Hospital, Quebec ou Hospital das Clínicas, São Paulo). Assim como é indiscutível a participação de psicoterapeutas com formação psicodinâmica nessas equipes. 

Para ler mais:

Brusset, B. (1999). Conclusões Terapêuticas sobre a Bulimia. In: Urribari, R. (org.) Anorexia e Bulimia.Escuta. São Paulo.

Bidaud, E.  (1998). Anorexia, mental, ascese, mística: uma abordagem psicanalítica
Companhia de Freud Editora.Rio de Janeiro.

Cramer-Azima, F. J. (1992). Adolescent Group Treatment. In: Harper-Giuffre, H and MacKenzie, K.R. Group Psychotherapy for eating Disorders. American Psychiatric Press, Inc. Washington and London.

Gold, B. (2000). Group-analytic Psychotherapy in the Treatment of Eating Disorders. In: Hindmarch, T. Eating Disorders: A Multiprofessional Approach. Whurr Publichers. London and Philadelphia.

Jeammet, P. (1999). Abordagem Psicanalítica dos Transtornos das Condutas Alimentares. In: Urribari, R. (org.) Anorexia e Bulimia. Escuta. São Paulo.

Lask, B. (2000). Overview of Management. In: Lask, B. and Bryant-Waugh, R. Anorexia Nervosa and Related Eating Disorders in Childhood and Adolescence. 2ª ed., Psychology Press. UK.
Persano, H. L. (2005) O que Tratamos em Psicoterapia? (Transtornos Alimentares). In: Eizirik, C.L., Aguiar, R.W., Schestatsky, S.S. et al. Psicoterapia de Orientação Analítica: Fundamentos Teóricos e Clínicos.2ª ed. Artmed. Porto Alegre.

Zerbe, K. J. (2001). The Crucial Role of Psychodynamic Understanding in the Treatment of Eating Disorders. The Psychiatric Clinics of North America – Eating Disorders. Vol.  24, n. 2. 305 – 314.

  Copyright© 2006 Ceppan - Todos os direitos reservados.   Desenvolvido por Nina.